Unicef: conflito em Tigray, Etiópia, inclui violações graves e contínuas a crianças BR

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alerta para as graves consequências às crianças do conflito em Tigray, no norte da Etiópia. A crise já dura cinco meses.

O acesso e a segurança são “problemas sérios”, segundo o porta-voz da agência, James Elder. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas pelos combates entre tropas do governo e forças regionais em Tigray.

Proteção

A crise de proteção desdobra-se em violações graves e contínuas dos direitos infantis.

O informe ressalta a falta de proteção e violência de gênero vividas por crianças estupradas ou mulheres vítimas de violência sexual. Altas autoridades como a presidente da Etiópia, ministros e representantes de diferentes entidades relevantes já abordaram a gravidade do problema.

O Unicef recolheu experiências traumáticas de sobreviventes. Uma das vítimas tinha 14 anos. Houve ainda estupros realizados por gangues com “um nível de crueldade desconcertante descrito nesses ataques”.

Um centro apoiado pelo Unicef registrou, em média, três casos de violência de gênero, por dia, entre janeiro e meados de abril.

Chuvas

A presença de um grande número de deslocados é considerada um problema prestes a se agravar para a saúde, especialmente com a aproximação da estação das chuvas, em junho. Nessa época aumenta o risco de cólera e outras doenças transmitidas pela água.

As outras facetas da emergência são na educação e nutrição, onde houve destruição dos sistemas e serviços essenciais para as crianças. Os confrontos deixaram 1,4 milhão de alunos fora da escola por mais de um ano.

O Unicef recomenda que segurança, obras de reabilitação e transferência de centenas de milhares de deslocados sejam prioridade para as autoridades. As estimativas apontam para a destruição de um quarto de centros educativos.

Mais da metade de fontes de água não funcionam em 13 cidades recentemente avaliadas. Os sistemas avançados para captar o recurso estavam equipados de geradores e circuitos elétricos, mas os equipamentos foram danificados e saqueados.

Exploração

Os centros de saúde foram alvos de violência e saques. Há preocupação com o saneamento em áreas superlotadas que acolhem deslocados que “não são higiênicos e nem seguros”. Essa situação aumenta os riscos de exploração de crianças e torna impossível praticar medidas de prevenção Covid-19.

O Unicef ressalta ainda o nível de desnutrição em grande escala que piorou com o início do conflito quando as pessoas deveriam estar a fazer a colheita do ano. Além da perda de produtos e de insumos, mais de 1 milhão fugiu de suas terras.

O Unicef apoiou as vítimas de desnutrição com suprimentos de emergência, incluindo kits de medicamentos, suprimentos de nutrição, material de escola e de desenvolvimento de crianças na primeira infância.

fonte https://news.un.org/pt/story/2021/04/1748182

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