O que pastores e líderes têm aprendido durante a pandemia?

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A pandemia representa um dos maiores desafios dos últimos tempos para todo mundo. Como a missão da Sepal é servir a pastores e líderes, preparamos a série “De pastor para pastor” com artigos abordando tópicos relacionados aos desafios do exercício pastoral em tempos de pandemia. O conteúdo tem a participação de pastores e líderes de diferentes igrejas e regiões do país, na tentativa de enriquecer as perspectivas dos temas abordados.

Os artigos da série não pretendem ser tratados teológicos, nem diretrizes doutrinárias. Trata-se de uma espécie de retalho textual construído a partir de vivências pastorais e inquietações presentes no coração de pastores e líderes, a respeito dos desafios com os quais precisam lidar. São textos que pretendem acolher, encorajar e animar aqueles que se dedicam ao ministério pastoral.

Entre os temas abordados, falaremos sobre pregação em tempos de dores e perdas, gestão de igreja, pastorado em “home office”, abandono de ministério, entre outros. Neste primeiro texto, os entrevistados falam sobre as lições aprendidas durante a pandemia acerca do exercício pastoral. O pastor René Breul, da igreja Hopera, em Roma, confirma que a pandemia tem sido difícil para todos, que trouxe à tona algumas questões que estavam escondidas.

Em artigo publicado no site Voltemos ao Evangelho, o pastor Jean Francesco, da Igreja Presbiteriana da Penha, em São Paulo (SP), fala que essa crise tem reafirmado o compromisso de enxergar que a renda da igreja não existe apenas para satisfazer as necessidades internas das instituições, mas para acudir os necessitados. Entre as lições que o contexto pandêmico tem proporcionado, Francesco descreve:

“O vírus está refrescando a nossa memória do quanto somos finitos e frágeis, desafiando-nos a depender com mais intensidade da soberania divina e abandonarmos todo tipo de teologia triunfalista ou postura arrogante; Crises também nos forçam a sermos mais criativos e a fazermos as mesmas coisas por meio de métodos que jamais imaginaríamos. É nessas horas que grandes líderes se levantam e que ideias inovadoras aparecem para mudar nossa forma de viver.”

Em resposta ao nosso contato, o pastor Sinvaldo Queiroz, da Igreja Batista da Cidade, em Vitória da Conquista (BA), disse que um antigo aprendizado foi ratificado. Segundo ele, “consiste no fato do ministério pastoral estar para além das dimensões culto-clero-domingo-templo. A pandemia também nos lembrou de que a missão do pastor transcende os limites da igreja local, bem como das complexas agendas das organizações religiosas. Ficou claro para mim que um mundo ferido carece de pastores batizados pela compaixão e engajados socialmente.”

Para o pastor Tércio Sá Freire de Oliveira, da Comunidade Evangélica Vale da Bênção, em São Roque (SP), as lições são múltiplas e variadas e todas fortalecem a caminhada comunitária de uma igreja relevante para o seu entorno. Ele afirma que a liderança compartilhada e comunitária foi a maior lição no pastorado que ouvir e valorizar as opiniões e considerações da membresia foi confortável e trouxe segurança para toda a comunidade. O pastor descreve:

“Destaco o posicionamento da liderança na valorização da vida em detrimento a qualquer outra circunstância. O consenso de que a vida é mais importante facilita as tomadas de decisão, como em não fazer nenhuma atividade presencial, seguir as restrições sanitárias, assistir e acompanhar todas as pessoas possíveis com apoio espiritual, psicológico e financeiro, utilizar a tecnologia disponível para as reuniões on-line, chorar a partida de queridos, caminhar com os infectados na esperança da cura e aguardar a liberação para os encontros presenciais. Tudo isso deixou menos tenso e tem nos ajudado a viver o tempo de pandemia.”

O pastor Agnaldo Pereira Gomes, da Sexta Igreja Presbiteriana Independente de Sorocaba (SP), conta que o contexto da pandemia tem sido um período para reafirmar e redescobrir conceitos e convicções. Ele afirma:

“Reafirmei a convicção de que a fé é essencial e que pertencer à Igreja, o corpo de Cristo, é igualmente essencial. Redescobri que o templo não é essencial, pois mesmo com suas portas fechadas, a igreja e a fé sobrevivem. Porém, o valor do templo, enquanto espaço de comunhão, é de grande valia, pois os relacionamentos são fundamentais para uma vida saudável.
Descobri que a tecnologia virtual é uma bênção. Uma ferramenta tremenda para a propagação do evangelho e pastoreio. Descobri que as atividades virtuais vieram para ficar. Descobri que o templo e a organização religiosa que nele funciona não é tão essencial assim, principalmente para as pessoas do bairro. Até onde sei, ninguém dos de fora reclamou pelas portas que se fecharam na pandemia. A confirmação de tal irrelevância para o bairro, deve nos levar a uma profunda reflexão sobre a igreja que queremos ser na pandemia e depois dela, no lugar geográfico que Deus nos plantou. Isso já nos levou a oferecer, oficialmente, ao poder público, o nosso templo como espaço de vacinação. Por fim, pudemos perceber o quanto somos relevantes para os nossos membros mais carentes e para outras pessoas que sequer conhecíamos, mas que diante da necessidade, tivemos o privilégio de abençoar, pois entendemos que somos uma comunidade não só de adoração, mas também de serviço.”

E você, pastor ou líder, o que tem aprendido durante a pandemia? Sua experiência tem alguma semelhança com as vivências compartilhadas acima. Deixe sua colaboração nos comentários.

fonte https://sepal.org.br/o-que-pastores-e-lideres-tem-aprendido-durante-a-pandemia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-que-pastores-e-lideres-tem-aprendido-durante-a-pandemia

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